sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Saudade

Ando inquieto,

pensativo,

meditando,

enfim… falando sozinho por aí, comigo mesmo…

Isto! Descobri: é saudade...!

Saudade de quando eu e o meu eu, não éramos mais nós…

… de quando ele, estava em nós…

… tão presente, que não aparecíamos mais!

… que não parecíamos mais com nós mesmos!

Saudades de quando não me precisava autonomear ou me auto graduar para mostrar que parecia com ele…

Saudades de quando não precisava me diferenciar daqueles que… também diziam se parecer com ele, apenas para me diferenciar deles…

Saudades de quando os outros não nos viam mais, mas a ele em nós…

Naquele tempo, não precisava me apresentar…

Os outros entendiam quem eu era…

Saudades de quando os outros olhavam e diziam… você é …

Isto, era-lhes revelado…

Então… chorava porque fui encontrado digno de ouvir aquilo…

Alegrava-me nisto…

Não era mais eu, e sim ele, que os outros viam em mim…

Ando me recuperando… com alguns vestígios de alegria.

Com poucos, porém profundos… vestígios dele em mim!

Será que voltarei a ser um dia…?

Acredito que não…

Se desejasse apenas ser como antes…

seria mediocridade.

Sigo em frente… caio, mas… ele me levanta!

Caio…

Novamente???

Não desisto…

Insisto…

Persisto…

Prossigo…

Adiante…

Em frente…

Com a esperança…

De um dia…

Ser digno…

Novamente…

Para ouvir…

Eh!!!

Você se parece com ele…

Talvez, você realmente seja um…

CRISTÃO!!!

(autor, talvez conhecido por ele…)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Revisando Valores

Quantos não já ouviram a expressão: meu nome é trabalho e meu tempo é dinheiro?

Os valores que associamos a nossa vida estão intimamente ligados à maneira como organizamos nosso tempo, prioridades, esforços e principalmente a manifestação dos nossos dons, confiados pelo próprio Criador.

Sensivelmente temos sido influenciados a desprender das funções vitais e a operar debaixo de um regime de escravidão, que limita nossa capacidade criativa, fazendo que cada minuto vivido seja extremamente pesado, maximizado por metas e métodos de crescimento.

Estes dias temos estudado sobre o livro de Êxodo, mais propriamente o capítulo 1 que registra o fim do governo de José e o início de Faraó (1.1-14). José que viveu 110 anos e governou o Egito com o temor do Senhor morre e assim que Faraó assume, detecta que os Israelitas eram muito mais numerosos que os egípcios (v.9) e diante da possível ameaça dá início a um plano bem arquitetado e com táticas bem atuais nestes dias, vejamos suas implicações:

“Eia, usemos de astúcia para com ele, para que não se multiplique, e seja o caso que, vindo guerra, ele se ajunte com os nossos inimigos, peleje contra nós e saia da terra (v.10)”

A primeira tática de Faraó é a Astúcia que é a habilidade para usar artifícios enganadores, malícia, artimanha.

Tem uma frase que diz que os homens preferem geralmente o engano que os tranquiliza, à incerteza que os incomoda.

Parece que Faraó já sabia disso e impõe sobre o povo enganos para que fossem dispersos de seus poderes e habilidades de direito.

Creio que Faraó continua influenciando pessoas hoje, fazendo com que se percam em investidas vãs e totalmente descrentes de origem e propósito.

A segunda tática e talvez a mais sutil é a Manipulação.

“E os egípcios puseram sobre eles feitores de obras, para os afligirem com suas cargas. E os israelitas edificaram a Faraó as cidades-celeiros, Pitom e Ramessés (v.11)”

Manipular é influenciar para seguir comportamento e interesses que não são próprios, controle!

A manipulação influencia a programação da nossa mente, sugando todos os créditos levando-nos a uma cômoda e piedosa escravidão.

Exemplo disso é Elias que depois de tantos feitos poderosos em Deus, fugiu ao receber ameaça de uma impetuosa mulher chamada Jezabel (1Rs 18.46, 19) que com espaço dado por seu marido (Acabe) se impôs usufruindo desta mesma habilidade que gera morte e opressão.

Vejamos agora as consequências destas investidas:

e lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro, e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o serviço em que na tirania os serviam (v.14)”

Nestes dias me deparei com um senhor de idade de semblante triste e aparente depressão e após alguns minutos de conversa ele disse:

“Trabalhei a vida toda, casei e criei minha família com tremendo esforço, estudei todos os meus filhos, mas não entendo, parece que tudo que fiz é sem sentido, sinto que não vivi nada e não me resta mais tempo. Com lágrimas ele fecha sua colocação: Isso tem me consumido por dentro”.

Será que estas táticas têm contribuído para o aumento das doenças psicossomáticas (depressão, envelhecimento precoce, ausaimer)?

De quem é a culpa: da escravidão imposta por Faraó ou dos filhos de Deus que se submetem aos cômodos e falidos sistemas de manipulação?

Em dias de muito calor e “aquecidos fornos” até mesmo no meio eclesiástico, proponho uma reflexão de valores aos quais permeiam nossas ações e obras no cotidiano e que o fim seja o entendimento que nenhum talento, carisma ou esforço valem a pena se não estiverem debaixo de um interesse e propósito do Pai.

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Rm 11.36”.

Fraternalmente,

David Júnio

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Fidelidade x Lealdade

Nestes dias temos pensado e sendo confrontados a validar o sentido das palavras fidelidade e temor.

A fidelidade é a exatidão em cumprir suas obrigações visando um resultado.

Sabemos que servimos a um Deus fiel e que todas as suas promessas irão se cumprir, mas o problema é que podemos entrar por um caminho de obediência interesseira e engessada, as quais as motivações que nos envolve são os resultados que podemos alcançar, sejam eles pessoais, profissionais, ministeriais etc...

Vemos hoje pessoas utilizando de uma comunicação indutiva e superficial para levar pessoas a um pensamento positivista e pior ancorado por uma atribuição do caráter de Deus.

A fidelidade é sistemática, e o dever da fidelidade cessa quando cessam os compromissos.

Em contra partida vemos que o temor é um sentimento de reverência e respeito.

O temor a Deus nos direciona a um caminho de lealdade, muito mais profundo em suas aplicações, pois trazem em sua companhia o inevitável crivo da honestidade, sinceridade e franqueza.

A lealdade não cessa depois dos compromissos, não cessa sequer depois da morte, porque depois da morte há ainda um nome e uma memória a se respeitar, à qual devemos um comportamento leal.

Jesus em uma saudosa noite, depois de ter desejado ansiosamente, comeu com os discípulos com o intuito de gerar convicções extremamente profundas que deveriam ser colocadas em prática em sua maior parte após a sua morte (Lucas 22).

Será que isso não nos remete a validar se estamos usufruindo e nos apoderando de uma obediência burra e totalmente interesseira para com o nosso Senhor, maximizada por aquilo que Ele pode nos dar como fruto de nossa “fidelidade” do que aquilo que Ele é e já nos deu?

Talvez nos seja apropriado à oração de Davi “vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139. 24) para validar se a essência de nossa obediência é uma fidelidade interesseira inflamada por valores terrenos, ou uma lealdade pautada em créditos eternos?

Que haja temor às palavras do sábio e misterioso escritor de Hebreus:

“Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor” Hebreus 12.28-29

Profundamente abalado com as marcas da pós-modernidade;

David

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Lições de um Paralítico

Nestes dias temos pensado bastante sobre movimentação. Ao validarmos possibilidades de avanço não podemos esquecer-nos das áreas paralisadas. Clinicamente a paralisia é a perda de movimentos em determinadas parte do corpo, extinção completa de mobilidade voluntária, impossibilidade de operar e uma falta de ação.

Você já percebeu que certas áreas na nossa vida parecem estar paraliticas, sem mobilidade, falta uma ação e isso nos parece um problema sem fim?

Ao pensar nestas coisas nos lembramos do paralítico de Cafarnaum e cremos que podemos retirar algumas lições deste momento histórico com nosso Meste.

A primeira delas é que a causa é maior e as dificuldades serão sempre menores.

“Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra. Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente”. (Mc 2.1-4)

As casas na Palestina tinha o telhado plano, onde se podia chegar por uma escada externa. O telhado era geralmente coberto com uma camada de barro e apoiada por esteiras feitas de ramos de palmeiras.

O texto diz que aqueles quatro amigos não olharam as dificuldades, romperam barreiras, superaram limites porque eles tinham um objetivo: Conduzir o paralítico a Jesus.

Para recuperarmos movimentos até então paralisados, temos que nos superar e isso implica em resistir à dor, vencer inseguranças, superar desafios, qualidades essas que requer certa dose de coragem, tendo sempre um alvo.

Quando Paulo fala na carta à Filipos sobre “prosseguir para o alvo” (3.13) retrata a ideia literária de um corredor que esforça cada músculo do seu corpo enquanto corre até sua meta, com a mão estendida para alcança-la.

A supervalorização das dificuldades e a depreciação da causa são os principais motivos deste mau que paralisa o nosso avanço!

A segunda lição que aprendo é que o resultado de Deus pode ser diferente do esperado por nós.

“Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda”? (v.5-9)

É nítido que Jesus, imbuído de uma missão, priorizava assuntos pertinentes à eternidade e quando questionados a respeito das temporais fazia questão de posicionar em situação secundária.

Às vezes continuamos paralisados porque esperamos as respostas dentro das nossas perspectivas e concepções e isso limita a nossa percepção de avanço e gera frustações profundas associada ao sentimento de incapacidade e inutilidade.

Como já dizia Mateus: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça (eternas), e todas estas coisas vos serão acrescentadas (temporais)”. (6.33)

Jesus estava sendo um perfeito humano sendo compassivo e solidário ao próximo e perfeitamente celestial ao oferecer solução a mais dramática necessidade humana: o perdão (1Jo 1.9).

O perdão é a chave para a liberdade. Somente o perdão limpa a consciência e se destaca como a mais divina das vitórias.

A terceira lição é que o cenário do milagre é sempre marcado por superações.

“Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados- disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim”! (v.10-12)

Imagina a dor deste momento? Depois de anos sentado em uma maca, uma cadeira de roda, todo o organismo estava atrofiado e acomodado, mas subitamente “Ele se levantou”. Os quatro amigos ainda estavam ali e não fizeram nada, pois tem coisas que ninguém pode fazer por nós.

É fato que a propulsão interna da causa delimitará a força necessária para alcançar um objetivo!

Quando alinhamos nosso propósito com o propósito de Deus nossa paralisia é sanada e nos tornamos testemunho vivo do poder de Deus “Vista de todos”, testemunho esse que deve ser voltados inteiramente a Deus e totalmente desprendidos de glórias pessoais!

Como já dizia o precioso John Stott “Testemunho não é sinônimo de autobiografia! Quando estamos realmente testemunhando, não falamos de nós mesmos, mas de Cristo”.

Concluindo...

Qual área da sua vida está paralisada? Será que você está valorizando mais as dificuldades do que a causa? Ou você só aceita como resposta o seu resultado? Será que você tem reconhecido que no cenário atual que expressa morte e estagnação pode se manifestar um milagre?

Outro ponto importante para pensarmos é a respeito dos “quatro amigos” (v.3). Será que estamos influenciando as pessoas a nossa volta com nossas causas? Será que elas existem de fato, será que são reais e sinceras a ponto de mobilizarmos pessoas a se moverem a um propósito?

Que Deus nos ajude a sondar nosso coração e validar todas estas coisas;

Fraternalmente;

David Júnio