“27 Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas. 28 Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia. 29 Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais! 30 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. 31 Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.”
Jesus após a ceia com os discípulos os chama para um momento de instrução e em meio a informações proféticas Pedro se manifesta dizendo que todos poderiam se escandalizar, mas ele jamais.
A palavra jamais aqui é “em tempo nenhum, nunca”.
Pedro tinha uma auto-estima elevada demais e com suas promessas fomentou todos à sua volta a afirmar lealdade ao Messias, mas Jesus o conhecia no mais profundo e relembra que sua natureza de Simão ainda gritava e que era um momento de se fortalecer na nova identidade de “petros” ou “fragmento de Rocha”.
O fato é que Pedro negou e foi pego pelas suas próprias palavras, próprias promessas.
Quantas vezes nos comprometemos com o Senhor e não cumprimos, prometemos coisas e dentro de nós não a fundamento para embasar nosso compromisso, nossas palavras passam de afirmações para “palavras ao vento”.
Que possamos revisar nossos votos e declarar que é Ele quem efetua em nós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade Fp 2.13.
Desde a criação do homem Deus deu uma ordem que eles deveriam se espalhar e povoar a terra (Gn 1.28), mas o pecado entrou na raça humana e esta direção fica ameaçada, motivo pelo qual Deus buscou homens para renovar esta aliança.
A bíblia é marcada por alianças e o interessante que ao levantar Noé na terra (Gn 9.1) Deus reafirma o propósito original “sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra”.
Só que pouco depois nasce um descendente de Noé, Filho de Cuxe chamado Ninrode. Este homem decidiu unir-se a Deus e ao céu pela obra das suas mãos, propôs a construção de uma torre. Era para ser um lugar de adoração universal, todo o povo falava uma só língua e Ninrode pensou que poderiam unir-se religiosamente e politicamente pela força.
O nome Ninrode significa “rebelde”. Ele foi o primeiro homem que realmente organizou uma rebelião contra Deus. Conforme relata (Gn 10.8) foi “poderoso” ou líder na terra. O fato é que este homem organizou uma rebelião política, queria construir um governo centralizado e mundial, para consolidar assim os esforços dos homens (Gn 11.1-4).
O trabalho que começaram (torre de Babel) é uma das grandes maravilhas do mundo, obra colossal em tamanho, mas que foi marcada pela “adoração” e idolatria. Estava assim instalada uma rebelião religiosa contra o Senhor. A torre de Babel se tornou um templo religioso e esta religião permeou o mundo antigo.
Deus parece ter usado o nacionalismo para restringir os pecados dos homens (Gn 11.5-9). A divisão de governos e línguas impediu os propósitos malignos do homem. Pela misericórdia Deus se recusou a permitir que este esquema maligno tivesse êxito. Quantas vezes na história, Deus interceptou os homens que queriam organizar o mundo através de um governo central (Ex: Ário, Hitler etc...).
A ação de Deus foi eficaz fazendo com que diferentes famílias falassem diferentes idiomas e desta forma se espalhassem pela terra, resgatando assim o plano original do homem repovoar a terra.
O problema é que muitas vezes esta mentalidade de Ninrode está em nosso meio, levando-nos a formar “grupinhos”, valorizar a centralização de governos e tudo isso debaixo de uma falsa intenção “adorar a Deus” manifestado por uma reunião a qual se denominam “igreja”.
Olhe os resultados desses atos:
Mais tarde essa região passou a se chamar Babilônia, que é um símbolo de tudo aquilo que é contra o povo de Deus. Muitos dos emblemas, estátuas e idéias que fazem parte de religiões hoje vieram da civilização idólatra de Ninrode. Deus não tolerará esta mentalidade de globalização, idéia de um mundo agrupado é de satanás e não de Deus.
Não podemos nos esquecer que foi Deus que estabeleceu os limites da nossa habitação.
“de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; At 17.26”
Grandes contrastes são realçados pelos princípios e intenções dos agrupamentos de Gênesis 11 e Atos 2.
Gênesis 11
Atos 2
Babel, cidade edificada por pessoas
Jerusalém, cidade edificada por Deus
O povo tenta alcançar o céu
Deus na pessoa do Espírito Santo desce do céu e toca as pessoas
O idioma é confundido e há confusão
Mesmo com diferentes nacionalidades, um único idioma é entendido por todos os presentes
O povo é disperso por falta de entendimento
Com uma nova mentalidade o povo chega de todos os lugares
Que esta mentalidade hoje diagnosticada em pessoas, ministérios, pastores e “igrejas” sejam extirpadas do nosso meio e que o único nome que venha a se tornar grande e notório seja o de JESUS CRISTO.
“aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” 1Jo 2.6
Durante todo o tempo que Jesus esteve com os discípulos Ele tentava acrescer o nível de fé deles, das maiores dificuldades vinham os maiores ensinos.
Pensando nisso, veio ao meu coração Mateus 14.22-33 onde temos o maravilhoso relato de Jesus andando sobre as águas. Mas este texto reluz mais como um exercício de fé do que propriamente como uma manifestação da glória do Senhor.
Logo no v.22 o texto diz “compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante”. O panorama é: Jesus tinha realizado um milagre extraordinário “multiplicação dos pães” alimentando 5.000 pessoas fora criança e mulheres e em seguida traz esse direcionamento para os seus “escolhidos”.
Interessante que no v.23 diz que ele ficou só, muitos estádios do barco o qual era atingido por ondas e por ventos contrários.
Parece que em alguns momentos Deus nos compele a atravessar certas situações na vida que não entendemos. Gritamos e clamamos, mas parece que Ele não está no barco e será que alguém se identifica com este termo “vento contrário”?
Um estádio era +/- 185m, porque às vezes gritamos e Deus parece estar tão longe de nós?
v.25 Na “Quarta vigília” entre 3 e 6 da manhã Jesus foi estar com eles. Você já parou para pensar em quanto tempo estes homens foram expostos ao perigo de morte, a aflição, ao descrédito de viver, sendo que o Senhor estava se consagrando e vendo tudo, calculando até onde poderia ir a altura das ondas?Em seguida Jesus vem andando sobre as águas e estes homens gritam “é fantasma”...
Lendas e superstições entre a população judaica afirmavam que a visão de um fantasma perambulando durante a noite era sinal de grande desgraça. Somado ao medo natural que os judeus tinham do mar é certo que ficaram atemorizados.
Em meio a situações difíceis temos que ter cuidado para não imaginarmos coisas, pensamentos que vem para nos confundir e tirar o nosso foco, trazendo desespero!
v.27 Jesus agora manifesta um conjunto de palavras que intrigam meio mundo “tende bom ânimo” no original diz “tenham coragem”.
A proximidade do Senhor lança fora todo temor, destrói o mal e enche a alma de paz, alegria e vontade renovada de viver.
Entre aqueles doze homens tinha um que entendeu estas palavras e viu nelas a possibilidade de ter sua fé acrescida, era a chance de conhecer o poder de Jesus ainda mais de perto, e não agüentando conter gritou “se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas”.
Em meio à alegria de ter visto sucesso na empreitada o Senhor libera uma pequena palavra “Vem”.
Esta palavra de três sílabas pode mudar um destino, um futuro, uma vida e não foi diferente com Pedro. As substâncias da água tiveram que ser alteradas para ele poder pisar e não afundar.
Qual é o tipo de solo que o Senhor tem te chamado para pisar? O que tem sido racionalmente difícil demais pra você?
Pedro não se curvou diante da tarefa, ele se lançou para realizá-la. Não ficou imaginando e medindo as possibilidades de sucesso – Ele se lançou! Se Deus te der uma palavra, se lance NELE (Atos 17.28).
v.30-31) Enquanto Pedro olhou para Jesus ele surfou sem prancha, só que em determinado momento ele tirou os olhos do Senhor e reparou a força do vento!
Sabe o que percebo com isso, o vento sempre vai estar a nossa volta, a diferença é se você estará focado NELE, olhando firmemente para a palavra que Ele te deu ou reparando nas dificuldades que nos rodeiam (Hebreus 12.1).
Pedro fracassou porque tentou! Sua falha não foi a de nunca ter tentado.
Tem uma frase que gosto muito que diz: “Ninguém pode prever o quanto você pode voar, sem mesmo você, até você abrir as asas”!
V.32) Jesus não carregou Pedro, quando Ele o tocou, imediatamente ele parou de afundar e os dois caminharam juntos para o barco. Pedro fracassou em meio à caminhada talvez por calcular em algum momento as chances naturais, mas agora de mãos dadas com o Senhor a convicção tinha voltado e a leveza de seus passos sobre as águas anunciavam um novo nível no relacionamento dos dois.
v.33) E os que estavam no barco: Sempre na vida terão os dois grupos, os dois públicos, as duas histórias.
De um lado vão ficar os que olham, observam e não fazem nada, não crescem não se desenvolvem em Deus, é chamado a “turma do barco” (esse é o primeiro grupo).
Do outro lado estão aqueles que se interessa por esse discipulado aventureiro, que olham para as dificuldades e encaram e tendo uma palavra de Deus, pulam e se lançam no invisível!
Talvez Deus tenha te convidado a andar sobre as águas, mas as ondas estão muito furiosas contra o barco da sua vida, o vento está muito forte e os sentimentos de fracasso estão te rondando, mas nunca se esqueça que o que te chamou para fora do barco é o dono do mar, dono do céu, dono da terra e não há situação que Ele não tenha o controle e domínio.
Fico imaginando a mente deste homem ao pisar no barco, qual deve ter sido os primeiros pensamentos após ter flutuado sobre o tão temível mar da Galiléia.Tudo isso por ter obedecido a uma proposta de crescimento comunicada com um simples “VEM”.
Pensar que Deus precisa nos detalhar como, quando e onde estão os Seus planos para nós é quase uma passagem em uma pinguela invisível.
E quando se trata de promessas Dele em nossa vida creio que os níveis e fundamentos da fé aumentam. O fato é que existem promessas e promessas, umas de fácil alcance mental e outras que nos traz uma surpreendente vontade de rir.
Olhando para alguns fatos na bíblia vi que esta humana motivação já alcançou grandes nomes no decorrer da história.
O que dizer da promessa de Deus a Abraão de gerar um filho aos cem anos de idade? (Gn 17.15-18). Parece que este grande homem de Deus não se agüentou mediante a tal promessa.
“Então, se prostrou Abraão, rosto em terra, e se riu, e disse consigo: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara com seus noventa anos?” v.17
Deus agora foi comunicar a outra parte responsável por gerar o “filho da promessa” e veja a reação:
“Riu-se, pois, Sara no seu íntimo, dizendo consigo mesma: Depois de velha, e velho também o meu senhor, terei ainda prazer?” v.12
O caso de Sara envolvia uma mulher que já tinha passado o limite de idade para engravidar. Conforme todo o conhecimento e experiência dela, seria impossível ter um filho. Se Deus tivesse agido algumas décadas antes, teria dado certo. Mas agora? Uma mulher de 89 anos? Impossível!
Analisando a nossa parte humana de receber promessas de Deus, parece que poderíamos abrir um arquivo em nossa mente para guardar as “promessas dignas de riso”!
Os anos se passaram e Deus não parou de expor seus escolhidos a este nível de comunicações “impossíveis”, quem não se lembra da gravidez de Izabel (Lc 1.36) que concebeu um filho já na sua velhice e com o diagnóstico de esterilidade comprovado.
Vendo todos estes exemplos me sinto impulsionado a te perguntar, quais são as promessas que o Senhor te fez que são dignas de riso? Quais são os sonhos que você não se sente a vontade de compartilhar com ninguém por saber que possivelmente irão rir de você?
Certa vez Jesus estava falando quando chegou à notícia que a filha de Jairo tinha morrido (Lc 8.49-56). Jesus tentou elevar as pessoas a uma fé superior falando que ela seria salva e que apenas dormia, mas não houve êxito, as pessoas ao ouvir tais palavras instintivamente esboçaram sorrisos de descrença “E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta” v.53.
Certamente Deus não se restringe a nossas limitadas atitudes e vemos que Isaque nasceu e se tornou portador de uma aliança que mudou a história. Izabel apesar de surpreendida com a gravidez deu a luz a João Batista que preparou o caminho para o Messias. Jesus com apenas uma ordem devolveu a menina a seus pais, restaurando assim tal pavor!
Isso nos leva a crer que a crédito disponível para as palavras:
“Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas” Lc 1.37
Quem Ele é nos garante que mesmo as promessas mais hilárias são dignas do nosso minimizado acreditar.
“Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” Hb 10.23
Eu te incentivo a crer nas promessas de Deus para sua vida, mesmo que sua humanidade te convide a uma sessão de comédia!